A importância do Plano de Parto

Se você está grávida, talvez já tenha ouvido falar do Plano de Parto. Esse documento nada mais é do que o resumo de como a gestante deseja ser atendida no momento da chegada do bebê.

Claro que não há como definir um roteiro para o parto, que pode evoluir de mil maneiras diferentes, como qualquer evento fisiológico. Mas entender como seu corpo funcionará, e as intervenções que podem – ou não – ser realizadas desde as primeiras contrações até o atendimento pediátrico ao recém nascido levanta questões importantes que podem ajudar a entender que tipo de parto você deseja, além de aumentar as chances de um atendimento respeitoso e informado.

No documento você informará, entre outras coisas, se deseja liberdade para comer, beber e se movimentar durante o trabalho de parto; o nome de seu acompanhante; o tipo de intervenções obstétricas que considera aceitáveis ou não, e em quais circunstâncias (raspagem dos pelos pubianos, aplicação de ocitocina sintética, episiotomia, se pretende receber analgesia, e em que momento etc.). Os cuidados se estendem para logo após o nascimento do bebê e durante toda a internação hospitalar: quando e por quem o cordão umbilical será cortado; se será permitida a aplicação de nitrato de prata nos olhos do bebê; se você deseja amamentar imediatamente após o parto; se o alojamento de mãe  e bebê será conjunto; se você autoriza a administração de fórmulas lácteas como procedimento padrão da maternidade, entre outros tópicos.

Muitas vezes desconhecido pelas equipes obstétricas, o Plano de Parto é recomendado pela OMS desde os anos 80. Ele deve ser elaborado pela gestante e por seu acompanhante, com a orientação da doula, se possível. Os próximos passos são discutí-lo com a equipe obstétrica (obstetra, parteira e pediatra) e, em caso de parto hospitalar, protocolar o documento junto à maternidade (em São Paulo esse procedimento é garantido pela lei municipal 15.894/2013 e estadual 15.759/2015). Caso a instituição se recuse a recebê-lo, cabe notificação à Defensoria Pública.

A entidade de defesa aos direitos da mulher Artemis disponibiliza um modelo simples de plano de parto. Utilize-o, mas não se prenda a esse guia. Informe-se e acrescente toda e qualquer informação que julgue necessária para que você se sinta segura e seja bem atendida nesse momento único!