Desfazendo 9 mitos sobre a amamentação

“Quando nasce uma mãe, nasce uma plantação de palpiteiros.” Não sei onde ouvi a frase, mas essa é uma verdade que alimenta os inúmeros mitos que podem dificultar e desestimular a amamentação. Hoje vou falar sobre nove deles, muito comuns, que podem minar a confiança da mulher em sua capacidade de nutrir o bebê. Afinal, informação é poder!

1. “Meu leite é fraco” – Estudos com mulheres de várias partes do mundo, em situações econômicas e alimentares diversas, demonstram que só há mudanças significativas na composição nutricional do leite em casos extremos de desnutrição. Ou seja, corpo da mãe está preparado para produzir o alimento perfeito para o bebê.

2. “Meu leite não é suficiente para saciar meu filho” – A produção do leite materno é controlada de acordo com a demanda. Portanto, quanto mais o bebê mamar, mais leite será produzido. E não se preocupe se com o passar dos dias suas mamas não ficarem tão cheias quanto no momento da descida do leite. Significa que seu corpo está ajustando a produção conforme a necessidade do seu filho.

3. “Amamentar dói” – Fissuras nos mamilos, pega incorreta, mastite e candidíase costumam causar muita dor, mas esses problemas podem ser resolvidos rapidamente. Se você está sofrendo com a amamentação, procure ajuda de uma consultora especializada. Dar de mamar exige dedicação, mas pode – e deve – ser prazeroso.

4. “É impossível engravidar durante o período de amamentação” – Se você não pretende ter outro filho no momento, não caia nesse mito. Os hormônios responsáveis pela amamentação podem fazer com que a menstruação fique interrompida por muitos meses, mas isso não significa que não seja possível engravidar.

5. “É necessário controlar o tempo das mamadas” – Alguns bebês mamam mais rápido, em sugadas mais efetivas, e outros sugam mais lentamente, e por isso não há como controlar esse tempo. O importante é observar se a mama está vazia ao fim da mamada.

6. “Não há diferença entre fórmula infantil e leite materno” – Embora as fórmulas sejam aperfeiçoadas a cada dia, não há como compará-las ao leite materno que fornece, além dos nutrientes, anticorpos, probióticos e prebióticos importantes para o amadurecimento gastrointestinal e das defesas do bebê. O leite materno continua sendo imbatível!

7. “É impossível alimentar gêmeos apenas com leite materno” – Alimentar duas crianças simultaneamente exige muita dedicação, mas é possível. O maior obstáculo que as mães de múltiplos encontram é a falta de rede de apoio. Ter auxílio, cooperação e suporte em todas as atividades referentes à casa, alimentação e outros filhos, se houver, é imprescindível para encarar esse desafio.

8. “Depois do sexto mês, o leite materno ‘vira água’” – A Organização Mundial da Saúde recomenda o aleitamento exclusivo até os seis meses, e a continuidade, junto com outros alimentos, até pelo menos os dois anos de idade, ou mais. A composição do leite materno muda ao longo do tempo, mas ele continua sendo uma fonte importante de ferro, proteína e vitamina A. Além, é claro, de fortalecer o vínculo entre mãe e filho.

9. “O leite materno prejudica a absorção do ferro depois da introdução alimentar” – É verdade que o cálcio presente no leite de vaca interfere negativamente na absorção do ferro. Já o leite materno, além de ser riquíssimo nesse nutriente, é mais ácido que o leite de vaca, e por isso não interfere no aproveitamento dos nutrientes de outros alimentos.