Exterogestação na prática

Desenvolvida pelo antropólogo britânico Ashley Montagu em meados do século XX e popularizada mais recentemente pelo pediatra Harvey Karp, a teoria da exterogestação baseia-se na ideia de que a gestação continua mesmo após o nascimento, ao longo dos primeiros três meses de vida do bebê.

O objetivo é diminuir no recém nascido o impacto da saída do ventre materno, fazendo com que o ambiente externo esteja carregado de referências uterinas para que o bebê se sinta mais seguro. Na prática, significa receber o filhote com muito colo, peito e carinho, e é sobre os pontos principais da exterogestação que vou falar hoje:

–      Fome: no útero o bebê recebe alimento sem interrupção, pelo cordão umbilical. Por isso, não faz sentido regular os horários para mamadas do recém nascido, que precisa saciar a fome sempre que tem vontade. Aos poucos será possível estabelecer um ritmo mais organizado para a amamentação, mas não nas primeiras semanas.

–      Sono: você já ouviu falar em cueiro, um tecido quadrado que nossas avós usavam para enrolar os próprios filhos? Elas estavam certas. Depois de passar 40 semanas encolhidinhos dentro da barriga, os bebês se assustam facilmente com os próprios movimentos, que após o nascimento são amplos e sem obstáculos, e por isso precisam ser contidos. Para isso, vale embrulhá-los como charutinhos. Outro recurso utilizado é a técnica do ninho, que consiste em reduzir o espaço do berço com a ajuda de toalhas dobradas que devem ficar protegidas por um lençol bem preso, para que o bebê não entre por baixo delas.

–      Colo: muito mais que um “meio de transporte”, é no colo que o recém nascido mama, escuta os batimentos do coração da mãe e sente os movimentos aos quais está tão habituado. É lá que ele encontra solução para a fome, o medo e a insegurança, e provavelmente será o lugar preferido do bebê. Para dar uma folga para os braços, escolha um modelo de sling (carregador de bebê) que se adapte à sua rotina.

–      Banho: embora o meio líquido seja familiar para o recém nascido, é possível que ele se assuste com a imensidão da banheira. Se isso acontecer, experimente o banho de balde, que também é um ótimo aliado para aliviar as cólicas, o banho de chuveiro no colo de um dos pais ou embrulhar o bebê em uma fralda de pano antes de colocá-lo na água.

Espero que tenha gostado. Se quiser saber mais sobre os primeiros cuidados com o recém nascido, clique aqui e conheça o curso que ofereço na Casa Moara.