Qual a diferença entre Baby Blues e Depressão Pós-Parto?

A mulher acaba de dar à luz um lindo bebê, depois de meses de espera, e finalmente pode conhecer o rostinho de seu filho. Nesse momento, a sensação deve ser de alegria, gratidão e plenitude, certo?
Não necessariamente. Embora o tema seja considerado um tabu, algo entre 50 a 80% das puérperas sofre de Baby Blues em algum nível nas duas semanas após o parto. E apesar da enorme pressão social para que a mãe se sinta completamente feliz nesse momento, não há razão para vergonha ou culpa. As oscilações hormonais intensas, associadas ao cansaço e ao encontro da maternidade idealizada com a maternidade real são, sem dúvida, gatilhos para momentos nos quais a mulher se sente triste, ansiosa, mau humorada e extremamente sensível. Essa melancolia costuma surgir nos primeiros cinco dias após o nascimento do bebê, e em geral desaparece sozinha ao fim da primeira quinzena.

Quando as sensações são mais intensas e ultrapassam esse período, pode ser o caso de conversar com um terapeuta sobre a possibilidade de Depressão Pós-Parto. Menos comum que o Baby Blues, a depressão costuma despertar sentimentos intensos de irritabilidade, choro constante, indiferença por si mesma e pelo bebê, alterações alimentares, apatia e, em casos mais graves, pensamentos de prejudicar a si mesma e ao bebê. Diferente do Baby Blues, a Depressão Pós-Parto não vai embora sozinha, pode ser grave e exige acompanhamento.

À família, cabe não minimizar a dificuldade da mulher. Companheiro (a), familiares a amigos precisam estar atentos, solícitos e livres de julgamentos para dar apoio à recém mãe. Suporte prático, como participação nas tarefas da casa e com o bebê, também é muito bem vindo. 

Afinal, quando nasce um bebê, nasce uma mãe. Mas a mulher continua viva lá dentro, ansiando por existir e manter uma parcela de sua individualidade.