Sexo no puerpério – a decisão sobre quando voltar a transar é da mulher

“Você já está liberada para retomar sua vida sexual.” A afirmação, saída da boca do médico na primeira ou segunda consulta após o parto, pode despertar sentimentos conflitantes nas mulheres.

Algumas ficam genuinamente felizes, pois sentem-se dispostas e com vontade de voltar a transar. Outras sorriem amarelo. Seja pelas noites mal dormidas, pelas mudanças no corpo, pelas alterações hormonais ou por perceberem-se, naquele momento, distantes desse aspecto de sua feminilidade, seus pensamentos ainda não se voltaram para o sexo.

Essa falta de desejo, associada à cobrança do parceiro para que o ritmo sexual “volte ao normal” (“afinal, o médico já falou que está tudo certo!”), pode conectar a mulher a um sentimento de ansiedade e frustração, por não estar conseguindo cumprir o papel que foi socialmente designado a ela – mãe zelosa, esposa devotada, mulher sensual.

É perfeitamente natural que, após o parto, nossos instintos de leoas estejam à flor da pele, totalmente voltados para a cria. Se somarmos a isso o tsunami de hormônios e à carga mental, que ainda hoje demanda infinitamente mais das mulheres, fica fácil fazer a conta e perceber como muito razoável que a dedicação para o sexo ainda não tenha encontrado espaço na nova rotina.

A decisão sobre o momento de voltar a transar pertence à mulher, e a mais ninguém. Ao companheiro cabe o local de escuta, de colaboração e de parceria. A maternidade nos transforma, e transforma nossos relacionamentos. É um caminho novo e lindo para ser construído pelo casal. Com carinho, respeito e compreensão <3