Só um desenhinho antes de dormir não faz mal (ou faz?)

Ao longo do tempo em que venho prestando consultoria em sono infantil, percebo que um hábito muito comum é permitir que o bebê ou criança assista um pouco de desenho antes de dormir.

Seja por um tempo controlado ou indefinidamente, até que pegue no sono; na TV ou no celular, já dentro do berço, o acesso à tela está presente no ritual do sono de muitas famílias.

Já falei aqui sobre a questão das luzes emitidas pelas telas, que inibem a produção de melatonina, o hormônio do sono, prejudicando o descanso não só de crianças, mas de adultos também.

E se a luz das telas é tão nociva, por que será que assistir a um, dois ou muitos episódios de desenho ajuda a criança a pegar no sono?

O que acontece é que o corpo, já cansado das atividades do dia, se depara com uma atividade completamente passiva e estática, e cochilar acaba sendo consequência.

Só que não acaba por aí. Com a produção da melatonina toda bagunçada pelo estímulo luminoso, o corpo tem dificuldade para entrar nos estágios de descanso mais profundo.

Traduzindo, algumas crianças despertam, e outras têm um sono agitado e pouco restaurador.

Por isso as telas, SE estiverem presentes na rotina da criança, devem sumir do mapa ao menos duas horas antes de dormir. E o desenho animado pode ser substituído por um banho quentinho, uma atividade calma e, já na cama, uma história ou musiquinha cantada à meia luz.

Além de um sono com mais qualidade, todos ganham em vínculo e conexão 💖
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Foto – Alamy (The Guardian)