Vício em telas: atenção aos primeiros sinais

Quanto tempo por dia seu filho passa em frente à televisão, tablet ou telefone celular, assistindo vídeos ou jogando? A partir de que idade esse contato acontece?

É muito comum observarmos crianças pequenas em restaurantes, no carro e até em festinhas infantis vendo desenhos no celular enquanto as outras pessoas interagem. De acordo com a Declaração de Política da Academia Americana de Pediatria, uma a cada três crianças nos Estados Unidos usam tablets ou smartphones antes mesmo de começarem a falar.

Daniel Becker, pediatra conhecido por receitar natureza para seus pacientes, afirma que “uma criança em desenvolvimento não está fazendo uma escolha. Está sendo empurrada para ela. É necessário apresentar alternativas que a coloquem em contato com o mundo real.”

A Organização Mundial de Saúde (OMS) aconselha que meninos e meninas entre um e quatro anos de idade passem três horas em atividades como caminhar, engatinhar, correr, pular, se balançar, escalar, dançar, pedalar, pular corda e outros passatempos. Dos três aos quatro anos, 60 minutos dessas atividades devem ser “de intensidade moderada a vigorosa”, de acordo com as diretrizes.

Além disso, a OMS contraindica qualquer tempo de exposição às telas para bebês de até dois anos de idade. Dos três ao cinco anos, no máximo uma hora de exposição digital por dia, em períodos de até 20 minutos.

“Aos três anos lhes dão o tablet para comer ou para acalmá-los de uma birra. Isso significa ensinar a criança a regular suas emoções através de um aparelho”, explica José Moreno, psicólogo e diretor do Centro de Vícios Tecnológicos da Comunidade de Madri, ao periódico El País.

Por isso, atenção aos sinais que a criança demonstra, desde cedo. Se os comportamentos abaixo estiverem acontecendo com frequência, pode ser sinal de que é hora de rever o tempo e a qualidade do conteúdo que vem sendo acessado.

  • Agressividade e birras em momentos de restrição às telas.
  • Só fazer as refeições em frente a alguma tela.
  • Comportamento explosivo após certo tempo de exposição às telas.
  • Excesso de apego a personagens dos desenhos animados.
  • Preferir as telas às brincadeiras, passeios e encontros com amigos.